A gente não fala sobre o que a gente é. A gente diz o que gostaríamosde ser. Ou de não ser. O que somos é sempre somente um meio docaminho que nos parece tão sem graça quanto uma migalha de pão que o mendigo nos implora na rua.
O presente é a luta por uma moedinha a mais pra nova marca que vai estourar quando chegarmos no que gostaríamos de poder ser. Nesse meiodo caminho a gente acaba dormindo com quem não quer e comendo o que não gosta. A gente acaba se vendendo por pouco, porque tem a ilusãode que um dia valeremos muito. E a gente, que vive de ilusão, quer umfuturo ideal. Um amanhã que nunca vai existir.
Nosso ideal é sempre maior do que o que possamos conseguir um dia. Nossas metas aumentam em progressão geométrica. Nossas conquistas, naaritmética. Sonhamos tridimensional. Projetamos aquilo que queríamos conseguir ser, mesmo que no fundo saibamos que é impossível. Alguns gênios nos mostram que tudo pode ser possível – com empenho e bom desempenho. Nessas, corremos o mundo pra provar a quaisquer ninguéns que nós também fazemos parte desse impossível que todosquerem. Não percebemos que algumas coisas são só daqueles que entendem que muitas migalhas matam tanta fome quanto um pão inteiro comprado na confeitaria dos Jardins.
* texto de fevereiro de 2007.
Li, reli, e reli de novo. Achei legal, mas confuso. Dá pra ver que tem coisas no texto que tu sabe, mas não diz. Do que entendi, achei bom. Não sei se me fiz entender ueauhae O Caderno Azul é de poesia(que não quer dizer que são só poemas). Beijot ;)
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