terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Pra não dizer que eu falei de sonhos mais – ou menos – do que devia.


Nem sempre eles são doces
Ainda que seja uma falha,
às vezes podem ser salgados
Ou mais salgados do que deviam

Tem aqueles que depois se mostram azedos
Ou talvez apenas tivessem passado do prazo de validade

Mas nada os substitui
Quando se mostram doces
Mesmo que nos engordem
Até valem a corrida pra a academia

Sonhos de um futuro bom
Pra correr sempre pra frente
A agonia por uma felicidade urgente

Não adianta
Não dá pra desistir
Somos doutrinados pela recompensa

Mesmo quando a gente quer o impossível
Quando a gente fala do inatingível
Aquele incrível brilho no olho
Vale quase qualquer negócio

Aquilo que vale qualquer luta
Mesmo que quando a gente chega lá
Comece a pensar na nova guerra.

Pode ser a Presidência da República
Um fofo bebê te acordando no meio da noite
O maior amor do mundo
A aliança na mão direita,
Ou esquerda.
Até aquela milagrosa cirurgia plástica

Sem esquecer, claro
Do prêmio da loteria.
E da caixa dos lápis de cor

Nem sei se devo dizer
Se é certo
Ou é errado
Nem se a gente não está enganado
A gente não se contenta
Sem antes dar a primeira mordida.

23 de março de 2007 - Escrito em menos de 60 minutos, no meu último dia de clicrbs. Um dia antes de começar nas Rádios. Entregue junto com um sonho de doce de leite à cada um do departamento.

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